Polícia Federal devolve credenciais de agente americano

Polícia Federal devolve credenciais de agente americano

A devolução das credenciais

A Polícia Federal (PF) devolveu as credenciais de um agente dos Estados Unidos que atua no Brasil. O funcionário, que não teve o nome divulgado, teve o documento retirado, na semana passada, mediante o princípio da reciprocidade, uma prática comum nas relações internacionais que busca equilibrar direitos e obrigações entre os países.

Entenda o princípio da reciprocidade

A retirada da credencial foi aplicada após o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos EUA divulgar que o governo norte-americano determinou a saída do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, envolvido no caso da prisão de Alexandre Ramagem (PL). Com a decisão, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, retirou as credenciais desse servidor norte-americano, justificando a ação como "recíproca" para manter o equilíbrio na parceria entre as polícias dos dois países. Segundo a PF, o documento foi devolvido na última segunda-feira, dia 27.

O caso de Alexandre Ramagem

Marcelo Ivo de Carvalho estava envolvido no monitoramento do ex-deputado, que foi detido em Orlando, na Flórida, por agentes do serviço de imigração, conhecidos como ICE, no dia 13 de abril, devido ao visto vencido.

Atuação e Missão

O delegado Marcelo Ivo de Carvalho atuava como oficial de ligação da Polícia Federal em Miami desde 2023. A medida tomada pelo governo norte-americano foi uma reação ao envolvimento do agente na prisão de Alexandre Ramagem. Em uma publicação na rede social X, o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos EUA enfatizou que nenhum estrangeiro poderia manipular o sistema de imigração para evitar pedidos formais de extradição e prolongar perseguições políticas em território americano.

Consequências da expulsão

A função de Marcelo era voltada à cooperação internacional na área de segurança, ocupando um papel importante em frentes de imigração e combate ao terrorismo dentro do Departamento de Segurança Interna americano. Inicialmente, sua permanência em Miami era de 2 anos, mas em 2025, a missão foi prorrogada por mais um ano, até agosto de 2026. No Brasil, o delegado da Polícia Federal atuava na posição há mais de 20 anos.

As ações contra Ramagem

O ex-deputado e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, agora nos EUA, é alvo de uma condenação do Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão na ação referente à tentativa de golpe, respondendo por crimes como abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa. A PF alega que a prisão ocorreu dentro de uma cooperação internacional entre as autoridades brasileiras e americanas, embora os EUA discordem.

Acusação pelos EUA

No comunicado, o Departamento de Estado acusou o agente Marcelo de tentar manipular o sistema migratório, contornar pedidos formais de extradição e ampliar perseguições políticas no território americano. Devido a essas alegações, o país decidiu interromper a missão do delegado e expulsá-lo antes do prazo estipulado.