Alemanha vai devolver crânio de dinossauro brasileiro
03/05/2026, 05:11:07
Devolução do Fóssil de Dinossauro Brasileiro
O Museu de História Natural de Stuttgart, na Alemanha, anunciou que vai devolver um crânio raro de um dinossauro brasileiro. Este fóssil, adquirido pela instituição alemã em 1991, se tornou o centro de uma intensa campanha de restituição promovida pelo Brasil. O crânio pertence à espécie identificada como Irritator challengeri e foi extraído da Chapada do Araripe, no Ceará, há 35 anos.
Conforme a legislação brasileira de 1942, todos os fósseis encontrados em território nacional pertencem ao Brasil, sendo considerados um verdadeiro tesouro natural. Desde 1990, a exportação de tais peças só é permitida com a autorização do governo e em colaboração com uma instituição científica brasileira. Infelizmente, não há informações detalhadas sobre como ou quando o fósseis chegou à Alemanha, mas a suspeita é de que o processo foi ilegal.
A devolução do fóssil foi confirmada no dia 20 de abril, em decorrência de uma visita do presidente Lula (PT) à Alemanha. Embora a data e o método de devolução ainda estejam pendentes de definição, espera-se que a peça retorne ao Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri, região próxima ao local onde foi encontrado.
A decisão foi amplamente celebrada pela Sociedade Brasileira de Paleontologia, que enxerga a devolução como uma vitória significativa na proteção do patrimônio científico nacional. Durante uma entrevista ao jornal britânico The Guardian, a professora paleontóloga Aline Ghilardi, que foi uma das vozes ativas na campanha pela restituição, comentou:
"Seu retorno é um passo importante e positivo, e espero que o processo avance rapidamente. Também parabenizo este progresso e o considero uma grande conquista no contexto mais amplo dos esforços globais de restituição. Este fóssil será amplamente celebrado e possui profunda importância científica, cultural e simbólica para o Brasil."
O nome do gênero deste dinossauro, Irritator, foi atribuído em 1996 pelos cientistas e deriva da palavra "irritação", escolhida pelos paleontólogos alemães após constatarmos que o focinho do fóssil havia sido adulterado por contrabandistas brasileiros. Já o nome da espécie, challengeri, é uma homenagem ao personagem Professor Challenger, da obra O Mundo Perdido, escrita por Arthur Conan Doyle.
