Delação de Vorcaro omite fatos sobre mesada a Ciro Nogueira
08/05/2026, 06:04:20
Entenda a proposta de delação de Daniel Vorcaro
A proposta de delação do executivo Daniel Vorcaro, encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF), não inclui os fatos que vieram à tona na operação da Polícia Federal desta quinta-feira (7). A operação revelou uma “mesada” de R$ 300 mil paga pelo dono do Banco Master ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), além de despesas em viagens internacionais, como hotéis de luxo, voos privados e contas de restaurante.
Aspectos da delação
De acordo com fontes familiarizadas com a proposta do dono do Master, Vorcaro evita comprometer Ciro em sua proposta, que menciona o senador do PP do Piauí, mas não cita o pagamento de propinas ou vantagens indevidas. Essa situação coloca em xeque a credibilidade da delação, pois já há evidências de que Vorcaro omitiu informações relevantes da Polícia Federal e do Ministério Público.
A operação da Polícia Federal foi baseada na análise do celular de Vorcaro e na quebra do sigilo bancário e fiscal do banqueiro. A investigação revelou que o presidente nacional do PP e ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro “instrumentalizou o exercício do mandato parlamentar em favor dos interesses privados” do dono do Master. Ciro Nogueira é acusado de receber propina para apresentar propostas legislativas que beneficiariam Vorcaro, como a conhecida “emenda Master”, que aumentou a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.
Implicações e reações
Assim que a proposta de emenda foi publicada, Vorcaro declarou que o texto “saiu exatamente como mandei”. Contudo, a tentativa de aprovação da emenda foi frustrada em agosto de 2024, quando o senador Plínio Valério (PSDB-AM) decidiu rejeitá-la durante a discussão da PEC que garantiu a autonomia do Banco Central.
A relação entre Vorcaro e Ciro Nogueira era próxima. Em mensagens trocadas com sua então namorada, a influencer Martha Graeff, Vorcaro se referia a Ciro como “um dos meus grandes amigos da vida”. Essa amizade também foi evidenciada por intervenções de Ciro para barrar a criação de uma CPI do Master, tentando convencer colegas a não endossar a abertura do colegiado.
A defesa de Ciro Nogueira, em nota, afirmou que "repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar". A equipe jurídica do senador, capitaneada pelo criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, declarou que Ciro “não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados”, colocando-se à disposição para esclarecimentos.
