O político que se acha o todo poderoso destrói a si mesmo

Quem não sabe conviver com o contraditório, termina em ilha sem sinais de fumaça nem sinal de internet

O político que se acha o todo poderoso destrói a si mesmo

Quanto mais o político se acha grande e poderoso, mais próximo está do seu fim ou do declínio da sua dinastia. A sequência dos fatos envolvendo prefeitos, governadores e presidentes comprova que quase todos acabam contaminados pelo poder.

O poder é envolvente e demasiadamente destruidor. Contamina a psique, fazendo o político imaginar-se perpétuo, inalcançável e acima de qualquer crítica. É justamente nesse momento que ele se torna mais vulnerável.

Passa a ignorar parceiros, desprezar aqueles que lhe devem alguma obediência e esquece que, por maior que seja sua força, jamais terá tudo sob controle.

O pior tipo de político é aquele que acredita não ser percebida a sua maldade, quando sua postura transpira a própria personalidade pérfida. O poder corrompe mais rapidamente que os aviões de carreira que cruzam os céus diariamente em alta velocidade. Corrompe tanto que cega o homem público diante da própria indelicadeza para com o povo — justamente o povo que lhe deu a oportunidade de chegar ao topo.

Entretanto, o topo representa também a maior distância entre a altura e o solo. E quem sobe demais, muitas vezes termina por cair.

Um carrapato não mata o boi; mas toda infestação começa por um.

Creditos: Professor Raul Rodrigues