Os avisos dos ventos trazem consigo a tempestade

Quando os sinais são ignorados, o desastre deixa de ser surpresa

Os avisos dos ventos trazem consigo a tempestade

Nenhuma grande tempestade surge do nada. Antes da chuva forte, dos raios e da destruição, sempre existem sinais. O vento muda de direção, o céu escurece, os animais se recolhem e o silêncio estranho anuncia que algo está por vir. Assim também acontece na política, na economia, nas relações humanas e na própria vida.

Os ventos sempre avisam.

O problema é que muitos preferem ignorar os sinais por conveniência, arrogância ou cegueira provocada pelo conforto momentâneo. Governos ignoram a revolta popular até que ela exploda nas ruas. Gestores desprezam alertas financeiros até que a falência bata à porta. Famílias fingem não perceber os conflitos internos até que a desunião destrua laços antigos.

Toda crise começa pequena. Nenhuma árvore cai ao primeiro golpe do machado. O apodrecimento vem de antes, silencioso, escondido por folhas verdes que tentam disfarçar a raiz comprometida.

Na política, os ventos costumam soprar antes das derrotas. O afastamento do povo, o excesso de vaidade, a perseguição aos aliados, o desprezo às críticas e a falsa sensação de poder absoluto são nuvens carregadas no horizonte. Muitos líderes caem não pela força dos adversários, mas pela incapacidade de ouvir os avisos que o próprio tempo lhes envia.

Na economia acontece o mesmo. O aumento dos preços, o desemprego crescente, o endividamento das famílias e a queda do consumo são ventos fortes anunciando tempestades sociais. Quando os governantes percebem, muitas vezes o caos já está instalado.

Na vida pessoal não é diferente. Pequenas mágoas ignoradas tornam-se grandes distâncias. O orgulho constrói muros onde antes existiam pontes. E quando a tempestade chega, muitos dizem não entender como tudo aconteceu tão rápido, esquecendo-se de que os ventos já avisavam há muito tempo.

A verdade é simples: ninguém é surpreendido pelo desastre sem antes ter ignorado algum sinal.

Os ventos não falam com palavras, mas anunciam mudanças. Cabe aos sábios perceberem o que os arrogantes insistem em negar.

Porque quem aprende a ouvir os ventos pode até enfrentar a tempestade, mas dificilmente será destruído por ela.

Creditos: Professor Raul Rodrigues