Igor Rickli retorna às novelas da Globo depois de 10 anos
12/05/2026, 06:31:04
Igor Rickli retorna às novelas da Globo após mais de 10 anos
Igor Rickli está no elenco da nova novela das 21h, "Quem ama cuida", que estreia na próxima segunda-feira (18). O trabalho marca o seu retorno às novelas da Globo após mais de 10 anos. Antes, ele fez "Flor do Caribe" (2013) e uma participação em "Alto astral" (2015). Ele fala sobre essa volta: "Mandei mensagem para Deus e o mundo falando: 'Eu quero fazer essa novela, estou maduro e pronto'". Estava torcendo para isso acontecer. Foi um presente para mim, mas confesso que eu corri muito atrás. Estou num momento muito especial, animado demais de estar de volta nessa empreitada de novela, de retornar à Globo no horário nobre. Estou extremamente feliz, com muita vontade de trabalhar, com saudade da rotina de estar gravando, de contracenar e de estudar. É como se eu tivesse ficado um tempão caminhando no deserto e agora eu cheguei num oásis.
Na trama, ele interpretará o professor Patrick e vai contracenar com a personagem Dora (Mariana Ximenes), que é dona de uma escola de dança: "Ele é um cara muito carismático, entusiasmado e tem muito vigor. Gosta de dançar os ritmos latinos. Ele é superambicioso, gosta das coisas boas da vida, de se vestir e comer bem, e vai usar algumas oportunidades para ter essa vida que ele quer". Então, ele é um cara legal, mas eu não sei exatamente para onde a trama vai levá-lo. O personagem vai ser todo sensual, com essa coisa da dança toda hora presente. Confesso que eu não tinha uma relação muito próxima com a dança e estou amando esse processo de deixar o corpo fluir e de encontrar um lugar de autoconfiança. Estou começando a sambar, até. Nunca imaginei. Estou fazendo aula de flamenco, que foi justamente esse ritmo que me eliminou da "Dança dos famosos" (de que participei em 2015).
O elenco também contará com Antônio Caramelo, filho de Igor e Aline Wirley. Ele fala sobre ser colega de profissão do menino de 11 anos: "É muito gostoso estar perto, vê-lo dando os passinhos dele, acompanhando, naturalizando esse lugar e vendo o quanto ele já é muito mais leve". Imagina, eu, com a idade dele, lá no interior do Paraná, sonhava com isso. Era uma coisa muito distante. E agora estar ali com meu filho, que é um espelhamento, um pedaço meu. Fazemos muitas coisas juntos desde sempre. O Antônio manifesta uma vontade muito grande de se expressar através das artes, da música. E agora a gente está lançando um novo álbum dele. É sempre muito orgânico. Eu tento transformar tudo em uma coisa muito leve para ele. Eu sinto que é muito prazeroso para ele. Ele sabe que eu exijo dele, mas também que estou ali para qualquer coisa que ele precisar.
Os pais de Antônio estão juntos desde 2010. A família cresceu nos últimos dois anos após o casal adotar Fátima e Will: "Estamos vivendo uma maratona intensiva, um triatletismo, fazendo o tempo inteiro alguma coisa. Por isso temos malhado tanto, realmente, para estar com disposição nesse momento em que somos quarentões e para dar conta de tudo que queremos fazer". Está sendo uma delícia, porque encontramos a maneira certa de girar sem esgarçar os dentes da engrenagem. Com a intensidade e a frequência corretas, você vai encontrando um jeito de fluir sem empacar, sem machucar e sem ficar pesado excessivamente.
Igor conta que sempre quis ser pai: "Era uma sensação muito real no meu coração desde sempre. Eu me lembro de que, ainda na adolescência, eu tinha uma certeza absoluta de que iria ter uma família gigante, com vários filhos". O tempo foi chegando e, quando eu encontrei a Aline, entendi que ela seria a mãe dos meus filhos. Sendo pai, eu me encontrei num lugar muito saudável. Isso me fez me enxergar e me polir, até para oferecer para o Antônio a melhor versão de mim. Foi um processo muito bonito. Eu gosto da paternidade, ainda mais sendo pai de meninos. Meu maior objetivo de vida é me tornar um homem saudável, tranquilo e consciente, em paz consigo mesmo e com suas escolhas. Venho lutando muito para manter esse lugar de sanidade mental, física, espiritual, porque entendo que a gente precisa oferecer isso para o mundo.
O ator fala da decisão de adotar: "A adoção é uma gestação que você escolhe. Durante o processo, você vai se perguntando: 'Ai, meu Deus, será que eu estou interessado mesmo? Será que eu vou dar conta?'". São muitos questionamentos que se apresentam naturalmente. O Sistema Nacional de Adoção, na verdade, nos surpreendeu positivamente. Foi funcional e correto, principalmente para o benefício das crianças, que realmente temos que proteger. No nosso caso, por serem irmãos, era um dificultador para a adoção. Eu estava preparado para um, e, de repente, eram dois. Eu pensava: 'Meu Deus, vou ter que trabalhar muito mais'. Quando paramos para pensar hoje no custo de se ter um filho, é um choque. Mas graças a Deus nunca nos faltou nada, e lutamos muito para proporcionar para eles só o melhor dessa vida, de levar para experienciar coisas incríveis, viajar e viver bem. A adoção foi, para nós, um processo de renascimento. Renascemos junto com essas crianças. E temos percebido que só melhora com o processo. O começo é desafiador, foi extremamente assustador. Eles chegaram com muitas dúvidas e nos testaram muito para entender se realmente iremos lutar por eles. Chegaram com muitos traumas. Mas nós somos bons em lamber as feridas para cicatrizar e ver os nossos bichinhos correndo felizes.
Igor e Aline falavam abertamente sobre a escolha de manter uma relação aberta. Após as mudanças na família, eles decidiram ser mais discretos sobre esse assunto: "Nós vivemos, talvez mais do que nunca, uma relação plena e em paz. A gente achou o nosso termômetro, a nossa equação e entendemos que ela só cabe a nós nesse momento".
O ator se lembra de quando assumiu publicamente ser bissexual e explica o motivo de também não querer mais falar sobre o assunto: "É o senso de responsabilidade com essas crianças. É um lugar mais embaixo, não era mais sobre mim naquele momento. Eu já tinha falado o que eu precisava falar, provado o que eu precisava provar e tirado o que estava entalado na minha garganta, que era essa necessidade de performar uma masculinidade que talvez nunca foi a minha. Mas quando chegou esse momento das crianças, tudo foi para outra dimensão. Então, entendi que já tinha feito todo o movimento que eu precisava e que agora eu só precisava priorizar a saúde deles. A estrutura da nossa família é algo muito sagrado para mim".
