Seis curiosidades sobre o Palácio Tiradentes em 100 anos
12/05/2026, 04:06:06
O Palácio Tiradentes, sede histórica da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e espaço voltado para a memória do Parlamento brasileiro, completou cem anos. A construção lembra o prédio do Grand Palais, de Paris, e é a encarnação atual de um espaço que se confunde com a própria história do país. A região é cenário de fatos importantes durante quase 400 anos, quando o Brasil ainda era colônia de Portugal. O prédio em estilo eclético tem três mil metros quadrados, 45 metros de altura e se destaca na paisagem do Rio Antigo não só como um marco arquitetônico.
Foi naquela área em que Tiradentes viveu seus últimos dias antes de ser enforcado, que foi criado o primeiro Parlamento brasileiro (1826), foram promulgadas duas Constituições (1934 e 1946) e funcionou a Câmara de Deputados até a mudança da capital para Brasília (1964). No lugar, houve ainda protestos contra a ditadura militar, com destaque para a Marcha dos 100 mil (1968). Ali, também, exerceu o cargo de deputada por São Paulo Carlota Pereira de Queiroz (1892-1982), primeira mulher a ser eleita em 1933 para o parlamento brasileiro. Atualmente, os megablocos de carnaval desfilam à sua frente.
Confira seis segredos e curiosidades sobre o Palácio Tiradentes
1 - A estátua de Tiradentes
A estátua de Tiradentes, à frente do Palácio, onde funcionou a Cadeia Velha. No local, o Mártir da Independência ouviu a sentença de morte na forca.
A história do espaço como local de debates remete ao século XVII. Ali, em 1636, foi inaugurada a Cadeia Velha, onde funcionava também o Senado da Câmara, o equivalente a uma Câmara dos Vereadores nos dias de hoje. Foi na Cadeia Velha que o inconfidente mineiro Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes) ficou preso por três dias antes de ser enforcado, em 1792. O local tinha até um oratório. Um deles, todo revestido de preto, era tratado como um espaço de orações para os condenados à morte, que recebiam conforto espiritual.
2 - Elevadores originais e cinzeiros
Os elevadores do Palácio Tiradentes, que ainda não eram automáticos, são os mesmos há 100 anos. O mesmo vale para as mesas e cadeiras instaladas no plenário, que só recebe sessões especiais, desde 2021, quando os trabalhos foram transferidos para o Edifício Lúcio Costa (Banerjão). Se hoje fumar em recintos fechados é condenável em qualquer lugar, as mesas dos parlamentares tinham cinzeiros embutidos.
3 - A cúpula
A cúpula do palácio pode ser admirada do plenário. Basta o visitante esticar o pescoço. Ela é constituída por um vitral de 350 toneladas, que simboliza a posição das estrelas em 15 de novembro de 1889, quando foi proclamada a República.
4 - As esculturas da fachada do palácio
O historiador e funcionário da Alerj Douglas Libório destaca que muitas esculturas da fachada do Palácio Tiradentes se assemelham a alegorias exibidas em desfiles das antigas sociedades carnavalescas dos primeiros anos do século passado. Essas agremiações são anteriores às atuais escolas de samba.
— Muitos dos escultores que trabalharam no Palácio também foram carnavalescos. Há uma troca de influências entre a arquitetura do prédio e os desfiles das antigas sociedades carnavalescas — afirma.
5 - Um toque de cada lugar
O palácio foi projetado pelo arquiteto Archimedes Memória, em parceria com Francisco Couchet. Os governadores dos estados foram convocados a doar materiais, mobiliário e elementos decorativos. O arquiteto fazia os desenhos e os enviava para cada estado, que produzia as peças e as devolvia prontas. O plenário, por exemplo, foi executado pelo Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo.
6 - Cenário de filmes e séries
Muito além das sessões parlamentares, o Palácio Tiradentes consolidou-se como um dos sets de filmagem mais versáteis do Rio. Sua arquitetura imponente serviu de pano de fundo para reconstruir os bastidores do poder em "Getúlio" (2014), estrelado por Tony Ramos, e para o drama histórico "Olga" (2004), que narra a trajetória de Olga Benário e Luís Carlos Prestes.
O edifício também é peça-chave em produções que exploram a segurança pública e a corrupção. Foi no Tiradentes que o coronel Nascimento, de Wagner Moura, confrontou o sistema em "Tropa de Elite 2" (2010). Mais recentemente, o prédio voltou às telas na série do Globoplay "Arcanjo Renegado" (2020), reforçando sua imagem como o coração simbólico das tramas políticas e policiais da capital.
