Azzas e a Disputa Judicial Entre Seus Sócios

Azzas e a Disputa Judicial Entre Seus Sócios

A guerra judicial entre os sócios da Azzas 2154

A guerra judicial aberta entre os principais sócios da Azzas 2154, gigante do setor de vestuário criada em 2024 a partir da fusão da Arezzo&Com de Alexandre Birman e do Grupo Soma de Roberto Jatahy, teve novo capítulo hoje. De acordo com reportagem do Valor, Birman, atual CEO da Azzas, recorreu à Justiça contra a medida cautelar obtida por Jatahy que lhe deu as condições de impedir a separação dos negócios da Reserva, uma das marcas do conglomerado, da divisão de vestuário que ele dirige. Internamente, Birman defendia levar a marca para a unidade de básicos do grupo.

Implicações da disputa

Na prática, essa medida esvaziaria o segmento comandado por Jatahy. Hoje, Birman ingressou com um agravo de instrumento no Tribunal de Justiça de São Paulo com pedido de efeito suspensivo da cautelar favorável ao sócio, informou o Valor. Advogados do escritório Bermudes Advogados, que defendem Birman, argumentaram na peça jurídica que caberia apenas ao CEO a decisão sobre a reorganização da Reserva, já que se tratava de um negócio que, pelo acordo de acionistas, estava sob a sua alçada. Fundada pelo empresário carioca Rony Meisler, a Reserva é uma marca de vestuário masculino que foi absorvida pela Arezzo antes da fusão. Após a união com o Soma, Meisler deixou a Azzas.

Além disso, o agravo trata o pedido de Jatahy como abusivo, introduzindo a interferência do Judiciário na administração dos negócios de uma companhia de capital aberto para satisfazer interesses de um acionista minoritário. A batalha judicial revela a guerra aberta entre Roberto Jatahy e Alexandre Birman desde o acordo entre os dois que formou a Azzas 2154, apontado atualmente como o maior do segmento na América Latina. Após muitos rumores de desentendimentos entre os dois, a disputa foi parar na Justiça, conforme revelou ontem o colunista do GLOBO Lauro Jardim.

O que está em jogo

O grupo criado em 2024 a partir da fusão da Arezzo&Com, de Birman, e do Grupo Soma, de Jatahy, é dono de mais de 20 marcas de moda, como Hering, Reserva, Foxton, Arezzo, Schutz, Farm, Animale e Maria Filó. Contudo, tem apresentado resultados abaixo das expectativas e conflitos entre os sócios, conforme mostrou a coluna Capital, do GLOBO.

No centro da disputa está o chamado Projeto 021, cujo foco era a sinergia entre marcas com identidade “carioca”, entre elas a Reserva. Ficou acertado que o executivo Ruy Kameyama seria o responsável pelo processo, respondendo pela área de Fashion & Lifestyle e reportando-se a Birman. Já Jatahy — fundador da Animale e que, como maior acionista do Grupo Soma, levou para a Azzas marcas como Farm — atuaria como sponsor e facilitador, exercendo o cargo de CBO (Chief Brand Officer). Ao todo, ele lideraria 15 marcas, de Animale e Farm à Reserva, reportando-se a Kameyama.

Cautelar e a liminar

Ontem, Jatahy obteve liminar para impedir a desintegração da marca masculina Reserva da unidade de negócios sob seu comando. Ele acusa Birman de atropelar o Conselho de Administração da companhia ao separar, por gênero, o portfólio de grifes do grupo, apurou a coluna Capital. A mudança ocorreu em abril e, na prática, esvaziou o papel de Jatahy e retirou do seu guarda-chuva a marca Reserva.

A juíza Simone Chevrand, da 7ª Vara Empresarial do Rio, concordou com os argumentos de Jatahy. Ela concedeu cautelar revertendo a recente cisão do portfólio de marcas da Azzas, mas, no mérito, o caso será decidido por arbitragem. A magistrada determinou que Birman será afastado do cargo de CEO do conglomerado de moda caso tente retirar a Reserva ou outras grifes “cariocas” da gestão de Jatahy.

Com a sentença, Birman terá que restabelecer Jatahy como CBO das marcas do chamado Projeto 021 — as “cariocas” — e, interinamente, como CEO dessa divisão, até que a disputa seja resolvida em tribunal arbitral.