Eleições de 2026 provam que o coronelismo continua vivo em Alagoas

Luciano Barbosa e Cícero Cavalcante exibem força eleitoral ao dividir apoios entre grupos rivais e reforçam a política dos acordos acima das diferenças ideológicas.

Eleições de 2026 provam que o coronelismo continua vivo em Alagoas

As eleições de 2026 mostram que o fim do coronelismo ainda está longe de acontecer de fato. Caso já tivesse ocorrido, os prefeitos Luciano Barbosa, de Arapiraca, e Cícero Cavalcante, de São Luiz do Quitunde, não estariam dando demonstrações tão fortes de poder eleitoral.

Luciano Barbosa conseguiu a façanha de apoiar três nomes em campos de conflito: Lucas Barbosa com JHC no PSDB; Daniel Barbosa no União Progressista de Arthur Lira; e ele próprio ao lado de Renan Calheiros para o Senado. É preciso ter muitos votos para dividir tanto poder político sem romper alianças.

Já Cícero Cavalcante, de São Luiz do Quitunde, divide-se entre Arthur Lira e Renan Filho em um mesmo palanque, ainda que para cargos diferentes — um para governador e outro para senador. Mesmo assim, fica no ar a sensação de um acordo silencioso de que todos terão os votos que os “Trambos” (neologismo) — ou, na prática, um “trio parada dura” — precisam. E, para isso, vale quase tudo.

Na política, os interesses seguem superando e atropelando princípios que, talvez, nunca tenham realmente existido.

Creditos: Professor Raul Rodrigues