França pressiona Stellantis e Renault por fornecedores locais

França pressiona Stellantis e Renault por fornecedores locais

A pressão da França sobre as montadoras

A França pressiona as montadoras Stellantis e Renault a priorizarem fornecedores locais para proteger empregos e manter o conhecimento técnico. Isso ocorre em um cenário de crescente competição com fabricantes chineses na Europa. O ministro das Finanças, Roland Lescure, destaca que a soberania industrial deve ser um esforço coletivo.

Prioridade na preferência europeia

Segundo Lescure, as duas montadoras “devem fazer sua parte na preferência europeia, inclusive em termos de compras junto a seus fornecedores”. O governo do presidente Emmanuel Macron há tempos apoia regras que favorecem a produção local, especialmente para carros elétricos. Enquanto isso, Bruxelas se dedica a criar uma nova regulamentação para a indústria automotiva, enquanto montadoras chinesas buscam contornar tarifas de importação e regulações da União Europeia (UE) ao construir novas fábricas ou reativar instalações subutilizadas.

Reestruturação da Stellantis

A Stellantis está na vanguarda dessa reestruturação. A empresa firmou acordos com parceiras chinesas, incluindo um com a Zhejiang Leapmotor Technology, o que permitirá acesso a uma fábrica na Espanha. Além disso, as duas empresas planejam ampliar as compras conjuntas.

Impacto no mercado de trabalho

O sindicato francês Force Ouvrière alertou que mais acordos devem ser fechados para outras fábricas da Stellantis na Europa que operam abaixo da capacidade. Isso pode gerar riscos para empregos na engenharia e para a cadeia local de fornecedores. A Renault, com participação de 15% do governo francês, sinalizou que não possui capacidade ociosa para competir com rivais chineses, mas seu presidente-executivo, François Provost, tem buscado fornecedores chineses para reduzir custos.

Otimismo quanto à transição verde

Em uma entrevista à emissora France 3, Lescure expressou otimismo de que a transição verde continuará a gerar empregos na França. “As fábricas estão reabrindo na França”, afirmou ele. “Talvez não no ritmo que gostaríamos, mas estão reabrindo.”