Lykke Li se apresenta no Brasil com novo show impactante
17/05/2026, 08:46:02
A cantora sueca Lykke Li, famosa pelo hit "I Follow Rivers", se apresenta pela primeira vez no Brasil, em shows no Vivo Rio e no C6 Fest, em São Paulo. Em entrevista, ela revela seu desejo de se libertar das pressões do capitalismo e do patriarcado, buscando uma abordagem mais experimental e existencial em sua música. Com "The Afterparty", seu álbum mais recente, Lykke explora novas sonoridades e reflexões, prometendo uma experiência única ao público brasileiro.
O álbum "The afterparty", lançado por Lykke Li no último dia 8, foi apresentado a um seleto grupo de fãs como "talvez o último", em uma listening party, em Los Angeles, no começo do ano. Isso não significa, porém, que a carreira da cantora sueca dona do hit mundial "I follow rivers" esteja com os dias contados. Tem a ver com os rumos profissionais que ela deseja tomar daqui em diante. "Comecei muito jovem com essa persona, mas mudei como pessoa", diz, por telefone, em entrevista exclusiva. "Acho que, artisticamente, é importante deixar esse ego de lado. Quero ser mais experimental, e a indústria musical é um ambiente muito difícil, especialmente para uma mulher. Então, a fala tem mais a ver com um desejo de me libertar das correntes do capitalismo e do patriarcado."
É com este ímpeto que a cantora de 40 anos desembarca no Brasil este mês para os primeiros shows de sua carreira no país. A parada inicial é em solo carioca, no dia 22, para uma noite compartilhada com a banda inglesa Wolf Alice no Vivo Rio. No dia 24, sobe ao palco do C6 Fest, em São Paulo, como uma das atrações internacionais do line-up. Na bagagem, promete trazer a mesma atmosfera etérea apresentada recentemente no Coachella, na Califórnia, diante de plateias abarrotadas nos dois fins de semana do evento. "Este é o meu novo show. Mas vou apresentar mais músicas e fazer algumas mudanças para o público brasileiro", adianta a cantora, ciente do calor dos fãs locais. "Ouvi dizer que são os melhores do mundo."
Munida de uma larga capa esvoaçante, Lykke Li parecia flutuar sobre o palco do festival americano, num desdobramento visual de sua nova era, que define como a "mais existencial". "É como um lugar de aterrissagem, um pouco como uma afterparty da alma, em que você começa a questionar a vida, a ideia de Deus e todas essas coisas", resume, sobre as inspirações. "É uma longa meditação com a música."
O mergulho foi fundo também no que diz respeito às sonoridades, com faixas gravadas em Estocolmo acompanhadas por uma orquestra de cordas formada por 17 músicos. "Queria fazer algo realmente maximalista, com muitos instrumentos, muita gente, muitas vozes, muita percussão. Era importante fazer uma celebração à Humanidade", comenta. Ela também diz ter trocado a introspecção de discos anteriores por reflexões mais amplas nas nove canções que compõem o trabalho. "Foi divertido me desafiar em outras direções."
O público brasileiro, lembra Ronaldo Lemos, um dos curadores do C6 Fest, será um dos primeiros a conferir o resultado de tudo isso ao vivo. "Ela costura folk, eletrônico, pop e arranjos orquestrais, e ‘The afterparty’ radicaliza essa pesquisa", adianta, sobre uma obra que soa disruptiva "depois de cinco álbuns sobre dependência amorosa". "É uma via incomum. Em vez da euforia, trabalha o que vem depois. A ressaca, o desencanto, o reconhecimento da finitude."
Desde que lançou o primeiro disco, "Youth novels" (2008), a sueca já colaborou com nomes do mainstream mundial, como Drake e U2, e soma 16 milhões de ouvintes mensais só no Spotify. Também já teve suas canções em trilhas sonoras de filmes de sucesso, como "Azul é a cor mais quente" (2013). Ela, contudo, afirma não ser "muito famosa" e aprecia tal condição. "Ainda sou uma artista indie. Minha vida é completamente privada."
Mãe de duas crianças, é discreta ao extremo quando o assunto é vida pessoal e já disse encarar maternidade e vida profissional separadamente. "São como dois esportes radicais", compara. No dia desta entrevista, porém, havia vivenciado um encontro revelador entre os dois universos. "Mais cedo, estava brincando com os meus filhos, e eles adoram se fantasiar, incorporar personagens. E acho que isso é o que faço quando trabalho: crio figurinos e mundos. Então, ser artista é um pouco como estar em contato com a sua criança interior."
Inspiração não falta. A cantora fez 40 anos em março e tem se sentido bastante entusiasmada com a idade. "Quando você pensa nos deuses de algumas religiões, eles tiveram uma espécie de despertar espiritual nesta altura da vida", comenta. "Então, é um momento interessante para reavaliarmos o que realmente queremos. E isso pode ser algo belo."
