China lança missão com astronautas e permanência de um ano
25/05/2026, 10:43:23
Missão Shenzhou-23: Um Marco na Exploração Espacial
A China lançou neste domingo a missão Shenzhou-23, que levará três astronautas à estação espacial Tiangong e incluirá, pela primeira vez no programa espacial chinês, a permanência de um tripulante por um ano em órbita. A experiência é considerada uma etapa crucial nas ambições de Pequim de enviar humanos à Lua até 2030.
O foguete Longa Marcha 2F decolou do centro de lançamento de Jiuquan, no noroeste da China, levando a tripulação à estação espacial chinesa. A missão também marca o primeiro voo espacial de um astronauta de Hong Kong: Lai Ka-ying, de 43 anos, que trabalhou anteriormente na polícia do território. Os outros integrantes da tripulação são o engenheiro espacial Zhu Yangzhu, de 39 anos, e o ex-piloto da Força Aérea Zhang Zhiyuan, também de 39 anos, que viajará ao espaço pela primeira vez.
Projetos Científicos e Desafios da Permanência Prolongada
Durante a missão, os astronautas devem conduzir diversos projetos científicos nas áreas de ciências da vida, ciência dos materiais, física dos fluidos e medicina. O principal experimento será a permanência de um dos tripulantes por um ano em órbita, com o objetivo de estudar os efeitos de longos períodos em microgravidade, parte da preparação da China para futuras missões lunares e, possivelmente, a Marte.
A agência espacial chinesa informou que o astronauta escolhido para permanecer um ano em órbita será anunciado posteriormente. Até agora, as tripulações da Tiangong costumavam ficar cerca de seis meses no espaço antes de serem substituídas.
Desafios do Espaço e Preparativos Futuros
O astrofísico Richard de Grijs, professor da Universidade Macquarie, na Austrália, afirmou que os principais desafios envolvem os efeitos de longo prazo sobre o corpo humano, como perda de densidade óssea, atrofia muscular, exposição à radiação, distúrbios do sono e fadiga comportamental e psicológica. Segundo ele, a China vem acumulando experiência operacional para manter a ocupação sustentada da estação Tiangong, e missões de um ano representam um passo importante para futuras ambições lunares e de exploração espacial mais profunda.
— Um ano em órbita leva tanto os equipamentos quanto os seres humanos a um regime operacional diferente em comparação com as missões Shenzhou mais curtas das fases anteriores do programa — disse.
Objetivos Ambiciosos: Pouso na Lua até 2030
A missão Shenzhou-23 integra o objetivo chinês de pousar astronautas na Lua antes de 2030, em uma corrida com o programa Artemis, da Nasa. Pequim também vem testando os equipamentos necessários para cumprir essa meta. Um voo orbital de teste da espaçonave Mengzhou está previsto para 2026. O veículo deverá substituir a antiga linha Shenzhou e será usado para levar astronautas chineses à Lua.
A China espera concluir, até 2035, a primeira fase de uma base científica tripulada na Lua, conhecida como Estação Internacional de Pesquisa Lunar. O país também planeja receber, até o fim deste ano, seu primeiro astronauta estrangeiro na estação Tiangong, vindo do Paquistão.
Investimentos e Realizações Recentes no Programa Espacial Chinês
Nestas últimas três décadas, Pequim ampliou significativamente seu programa espacial, com investimentos bilionários para reduzir a distância em relação aos Estados Unidos, à Rússia e à Europa. Entre os principais marcos, a China pousou a sonda Chang’e-4 no lado oculto da Lua em 2019, feito inédito no mundo, e colocou um rover em Marte em 2021.
A China está formalmente excluída da Estação Espacial Internacional desde 2011, quando os Estados Unidos proibiram a Nasa de colaborar com Pequim. Essa restrição impulsionou o desenvolvimento de um projeto próprio de estação espacial, que resultou na Tiangong.
