Deolane Bezerra tinha dinheiro espalhado pela casa, diz ex-diarista
25/05/2026, 10:21:09
Informações sobre Deolane Bezerra
A advogada e influenciadora Deolane Bezerra vivia com montantes de dinheiro espalhados por sua casa e de sua família. Foi o que revelou a diarista Denise Bastos, em entrevista ao Jornal da Record. Ex-funcionária da influenciadora, ela compartilhou um vídeo mostrando uma pilha de notas de dinheiro em uma estante na casa de um dos filhos de Deolane.
Vida de luxo e origem do dinheiro
Bolsa de couro de avestruz e doação para Neymar são exemplos de como a vida de Deolane servia para dissimular a origem do dinheiro, segundo a polícia. A diarista destacou que havia dinheiro espalhado pela casa: "Tinha (dinheiro) espalhado pela casa. Montantes nas estantes, em cima das escrivaninhas, nos quartos, nas gavetas. A gente por ser empregada, a gente pensa que é teste, que está deixando ali para ver se não vai pegar, se não vai roubar", explicou Bastos ao veículo.
A diarista também acusou Deolane de ameaças após ter sido acusada de roubar R$ 80 mil. Em um suposto áudio enviado, Deolane diz: "Vai lá onde você guardou, pega e traz na minha casa. Devolve e segue a sua vida, porque se não, você me aguarde". Segundo relato de Bastos, a influenciadora insistiu que ela tinha pego o dinheiro e enviou pessoas para ameaçá-la.
Um homem, que estaria envolvido com o crime organizado, também enviou mensagens para a diarista, ressaltando que o dinheiro era oriundo do crime e que queriam resolver a questão de forma discreta. A diarista está processando Deolane por imputação falsa de crime, calúnia e ameaça.
Desdobramentos legais
O pedido de liberdade de Deolane Bezerra foi negado pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão foi publicada e afirmava que não havia "manifesta ilegalidade" na prisão preventiva da influenciadora, que está sendo investigada por lavagem de dinheiro.
Deolane foi presa no dia 21 de maio por suspeita de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC) durante a operação Vérnix. De acordo com as investigações, a estrutura empresarial de Deolane funcionava como uma camada de aparente legalidade para ocultar recursos ilícitos.
Entre 2018 e 2021, Deolane recebeu R$ 1.067.505 em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil, uma prática conhecida como "smurfing", usada para dificultar o rastreamento financeiro, e teve R$ 27 milhões bloqueados por determinação da Justiça.
A defesa de Deolane classificou as medidas como "desproporcionais" e reafirmou a inocência de sua cliente, prometendo esclarecer os fatos no momento adequado.
Ligação com o PCC
A prisão de Deolane revelou uma complexa operação de lavagem de dinheiro ligada ao núcleo familiar de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder do PCC. Custando entre 2018 a 2021, a operação evidenciou como uma transportadora estaria sendo usada para movimentar recursos do tráfico e inseri-los no sistema financeiro.
A Justiça expediu seis mandados de prisão preventiva, incluindo Deolane e outros membros da facção. Dentre os foragidos, há indícios de que ela esteja na Espanha.
As investigações começaram em 2019, ao serem apreendidos bilhetes na Penitenciária II de Presidente Venceslau, contendo ordens internas da facção.
A transportadora Lopes Lemos movimentou mais de R$ 20 milhões em três anos, o que levantou suspeitas sobre a legitimidade das suas operações. A diferença de R$ 6,9 milhões entre receitas declaradas e movimentações bancárias é considerada indicativa de lavagem de dinheiro.
