Polícia de choque invade sede do partido de oposição na Turquia

Polícia de choque invade sede do partido de oposição na Turquia

Centenas de agentes da polícia de choque da Turquia dispararam gás lacrimogêneo e forçaram a entrada, neste domingo, na sede do Partido Republicano do Povo (CHP), principal legenda a fazer oposição ao presidente Recep Tayyip Erdogan. A legenda, alvo de uma repressão coordenada pelo atual mandatário, é alvo de uma disputa interna por sua liderança.

Um tribunal de apelações turco decidiu na quinta-feira pela destituição do líder do partido, Özgür Özel, que venceu eleições internas do partido em 2023. A decisão judicial anulou a votação, estabelecendo como líder interino Kemal Kilicdaroglu, ex-presidente da sigla, atualmente com 77 anos, que perdeu as eleições passadas para Erdogan e não dispõe de popularidade alta entre os eleitores.

A imprensa turca noticiou que representantes de Kilicdaroglu solicitaram à polícia que realizasse os "procedimentos necessários" para entregar a sede do partido à nova liderança. O governo de Ancara instruiu a polícia a "cumprir a decisão judicial". Özel, por sua vez, condenou a ação policial e culpou Erdogan por perseguir o partido.

— Eles [policiais] invadiram nossa sede, usaram gás lacrimogêneo, nos espancaram com cassetetes, vandalizaram o prédio do partido e nos expulsaram — disse a liderança de facto da sigla na noite de domingo, acrescentando que Erdogan havia "perdido o juízo" e que o ataque fazia parte de manobras "para vencer as próximas eleições", previstas para 2028.

Expulso do prédio do partido, a liderança opositora caminhou vários quilômetros sob chuva em direção ao Parlamento, cercado por apoiadores. Ele declarou que o partido e a militância não ficariam inertes à ofensiva institucional.

— O Partido Republicano do Povo estará de agora em diante nas ruas ou nas praças — afirmou ao ser forçado a deixar o edifício, acrescentando posteriormente à AFP. — A Turquia deixou de ser uma república democrática moderna e se transformou em um regime autoritário.

A ONG internacional Human Rights Watch alertou no sábado que o governo Erdogan estava minando a democracia turca com "táticas abusivas" contra o CHP. A organização classificou a decisão judicial como "o mais recente golpe profundamente prejudicial ao Estado de direito, à democracia e aos direitos humanos" na Turquia.