Líderes do PCC e CV classificados como terroristas pelos EUA
29/05/2026, 11:16:04
Introdução
A decisão dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas estrangeiras colocou novamente sob os holofotes as lideranças que comandam as duas maiores facções criminosas do país. Embora muitos desses chefes estejam presos há anos em presídios federais de segurança máxima, investigações das polícias Civil e Federal apontam que eles continuam influenciando decisões estratégicas, movimentações financeiras, disputas territoriais e operações de tráfico dentro e fora do Brasil.
O anúncio foi feito nesta quinta-feira pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio. Segundo o governo dos EUA, PCC e CV comandam milhares de integrantes e mantêm redes criminosas que ultrapassam as fronteiras brasileiras. A partir da classificação, entram em vigor sanções financeiras e restrições que atingem integrantes, colaboradores e pessoas que prestem apoio às organizações.
Comando Vermelho
Enquanto o Comando Vermelho concentra seu poder em lideranças ligadas ao controle territorial de comunidades e à expansão da facção pelo país, o PCC opera uma estrutura mais burocrática e empresarial, com setores especializados em fiscalização financeira, tecnologia, comunicação e lavagem de dinheiro.
Marcinho VP
Mesmo preso há quase duas décadas em penitenciárias federais, Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, continua sendo apontado pelas autoridades como a principal liderança do Comando Vermelho. Segundo investigações recentes da Polícia Civil do Rio, ele permanece exercendo influência sobre a facção por meio de intermediários, como familiares e advogados, que transmitiriam suas orientações para chefes do tráfico nas ruas e nos presídios.
A polícia sustenta que Marcinho participa de decisões sobre nomeações de chefes de comunidades, distribuição de recursos e direcionamento estratégico da organização. No mês passado, ele foi alvo de uma operação contra o braço financeiro da facção, que identificou imóveis e propriedades atribuídos a integrantes de sua família. Os investigadores afirmam que as apurações reforçam a tese de que ele continua ocupando o posto de chefe máximo do grupo criminoso.
Doca
Se Marcinho VP é tratado pelas autoridades como o principal líder estratégico do CV, Edgar Alves de Andrade, o Doca, é apontado como o principal operador da facção nas ruas. Chefe do Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, Doca é considerado pela polícia um dos criminosos mais influentes do estado. Investigações atribuem a ele o comando da expansão territorial promovida pelo Comando Vermelho nos últimos anos, incluindo invasões de comunidades rivais e articulações para ampliar a presença da facção em diferentes regiões do Rio.
A Polícia Federal também identificou conversas em que o traficante demonstrava interesse em se aproximar de agentes políticos. Segundo os investigadores, a estratégia teria como objetivo ampliar a influência da facção e criar mecanismos de proteção institucional.
Abelha
Outro nome que aparece nas investigações é Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha. Durante anos, ele integrou a cúpula do Comando Vermelho e foi apontado como um dos principais articuladores da estratégia que levou a facção a ampliar sua ofensiva contra áreas dominadas por milicianos no Rio. Segundo a Polícia Civil, sua influência cresceu após deixar a prisão, em 2021, quando recebeu a missão de executar projetos definidos pelas lideranças encarceradas.
BMW
Aliado de Doca, Juan Breno Malta Ramos Rodrigues, o BMW, é descrito pelas autoridades como o líder da Equipe Sombra, grupo especializado em assassinatos e disputas territoriais.
Primeiro Comando da Capital - PCC
No PCC, o principal nome continua sendo Marcos Willians Herbas Camacho. Cumprindo penas que ultrapassam 300 anos de prisão, Marcola é apontado pelas autoridades como o responsável por transformar a facção paulista em uma organização com atuação internacional. Preso no sistema federal, ele continua sendo considerado o principal centro de poder da organização criminosa.
Outro integrante de destaque é Gratuliano de Souza Lira. Segundo o Ministério Público e a Polícia Civil de São Paulo, ele chefia a chamada Sintonia do Raio-X, setor encarregado de fiscalizar o cumprimento das regras internas do PCC e monitorar as finanças da organização.
Segurança Digital
A estrutura do PCC também possui um setor dedicado à segurança digital. De acordo com as autoridades, André Luiz de Souza e Eduardo Fernandes Dias comandam a chamada Sintonia da Internet e Redes Sociais, responsável por desenvolver mecanismos de proteção das comunicações internas da organização.
Conclusão
As investigações revelam a complexidade da atuação dessas facções, mostrando que, mesmo atrás das grades, seus líderes continuam a ter um papel significativo nas operações criminosas no Brasil e além.
