Turista colombiana deixa Brasil após gesto racista na Rocinha

Turista colombiana deixa Brasil após gesto racista na Rocinha

A situação da turista colombiana


A turista colombiana denunciada por supostamente fazer um gesto racista contra capoeiristas durante uma apresentação cultural na Rocinha, na Zona Sul do Rio, já havia deixado o Brasil quando o caso foi formalmente comunicado à polícia. A informação foi confirmada ao GLOBO pelo delegado Mário Jorge Ribeiro de Andrade, titular da Delegacia da Rocinha, responsável pela investigação.
Segundo o delegado, o episódio ocorreu na última terça-feira, mas o registro da ocorrência só foi feito dois dias depois. "O fato ocorreu na terça. Segundo informações que obtive, ela voltou para a Colômbia na quarta e o registro só ocorreu na quinta, ou seja, depois dela já ter saído do país", afirmou.
A Polícia Civil tenta agora confirmar oficialmente a identidade da mulher. De acordo com Andrade, foram expedidos ofícios à companhia aérea e à Polícia Federal para verificar se ela estava na lista de passageiros do voo apontado pela investigação. "Vou apurar essa e outras informações que consegui, como, por exemplo, o nome dela, junto à Polícia Federal", disse.
Questionado sobre os próximos passos da investigação caso a identidade da turista seja confirmada, o delegado informou que pretende recorrer aos mecanismos de cooperação internacional para colher o depoimento da suspeita. O caso é investigado como injúria por preconceito.

O contexto do incidente


De acordo com a coluna de Alcelmo Gois, a denúncia foi feita por integrantes de um grupo de capoeira que se apresentava para turistas em um ponto conhecido como "Acorda Capoeira", na Rocinha. Imagens registradas por câmeras de segurança mostram o momento em que uma mulher tenta colocar uma banana dentro da sacola utilizada para arrecadar contribuições do público após a apresentação.
Segundo os capoeiristas, a mulher fazia parte de uma excursão formada por 14 turistas colombianos que visitavam a comunidade. O capoeirista Rhian Gerônimo Martins da Silva, conhecido como Nescau, relatou que inicialmente não compreendeu o gesto. "De imediato eu não entendi nada, ninguém entendeu nada. Depois foi caindo a ficha. Vi o país dela, que tem esses casos de racismo, e uma estava olhando para a outra e tirando sarro. Ficamos sem reação, tentando entender o que estava acontecendo", afirmou.
Outra gravação mostra a turista deixando o local sorrindo. De acordo com Nescau, ela ainda tentou tirar uma foto com ele após o episódio. O guia Jefferson Barros, que acompanhava o grupo, afirmou ter sido alertado pelos capoeiristas logo após a apresentação. "Eu não acreditei que ela fez isso. Chamei o grupo para descer e sair do local. Expliquei para ela que aquilo era uma ofensa, um ato de racismo, um crime", relatou.

Repercussão do caso


Após a repercussão do caso, o grupo Na Favela Turismo, responsável por passeios em comunidades cariocas, divulgou nota repudiando o episódio. A empresa afirmou acreditar em um modelo de turismo de base comunitária, pautado pelo respeito aos moradores, à diversidade e ao território.
Outro caso recente semelhante aconteceu em janeiro, quando a advogada argentina Agostina Páez foi filmada fazendo gestos de macaco e ofensas racistas contra funcionários de um bar em Ipanema após uma discussão sobre a conta. O caso teve forte repercussão, levando à apreensão do passaporte dela e proibição de deixar o país durante a investigação. Em fevereiro, o Ministério Público do Rio apresentou denúncia formal por racismo e posteriormente, a Justiça autorizou que ela respondesse ao processo na Argentina, após o avanço das investigações.