Tarcísio defende autonomia da polícia em operação sobre contrato

Tarcísio defende autonomia da polícia em operação sobre contrato

A defesa da autonomia policial por Tarcísio

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu nesta terça-feira (2) a autonomia da Polícia Civil na operação que teve como alvo a Prefeitura de São Paulo e uma ONG contratada para a instalação de pontos de Wi-Fi gratuito na capital. A operação gerou incômodo nos bastidores da prefeitura de SP, com o prefeito Ricardo Nunes (MDB) contestando a investigação e afirmando que já havia fornecido os documentos solicitados. Ele ainda sugeriu a possibilidade de haver uma motivação política por trás da ação.

A situação teve ampla repercussão nos bastidores políticos, uma vez que indiretamente criticou a atuação da Polícia Civil, subordinada ao governo de Tarcísio. Fontes apuradas pela CBN indicam que o prefeito e o governador conversaram sobre o assunto após a operação. Questionado pela reportagem, Tarcísio esclareceu que a atuação da polícia ocorreu a partir de uma demanda do Ministério Público, reafirmando que o governo não interfere nas investigações.

— A operação da polícia é uma coisa que a gente não interfere. A polícia tem autonomia para fazer as suas investigações, para fazer as suas operações. É uma instituição de Estado. Havia uma investigação em curso, uma demanda do Ministério Público, e a polícia cumpriu essa demanda. Sempre vai ser assim. A polícia vai ser e sempre será uma instituição de Estado — afirmou Tarcísio durante uma agenda em Rio Claro, no interior de São Paulo.

Possibilidade de novas tarifas e suas consequências

O governador também comentou a possibilidade de um novo tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Na noite de segunda-feira, o governo americano concluiu uma investigação comercial e propôs tarifas de 25% sobre mercadorias do Brasil, embora essa medida ainda dependa de etapas formais antes de entrar em vigor.

Tarcísio expressou preocupação com essa situação e destacou a necessidade de uma atuação diplomática do governo federal para evitar danos à economia brasileira.

— Recebemos com muita preocupação essa possibilidade de um novo tarifaço. É algo que prejudica o Brasil, prejudica empresas brasileiras e empregos brasileiros. Vai demandar agora um esforço da diplomacia brasileira. A gente espera que haja uma orientação firme do governo federal para que possam sentar à mesa, negociar e defender o interesse nacional — disse o governador.

Agenda e críticas políticas

Tarcísio também cumpriu agenda em Rio Claro, no interior paulista, antes de iniciar mais uma edição da Caravana 3D, um programa onde secretários estaduais percorrem diferentes regiões do estado para anunciar investimentos, entregar obras e receber demandas de prefeitos. Como a CBN tem destacado, o governador intensificou as viagens pelo interior e há expectativa de novas caravanas até 4 de julho, que é o prazo estabelecido pela legislação eleitoral para participação em inaugurações e entregas de obras públicas.

Questionado sobre críticas da oposição de que estaria concentrando agendas para agradar prefeitos em ano eleitoral, Tarcísio fez uma ironia sobre a situação. Ao lado de prefeitos da região, ele indagou se algum deles estava “bravo” com o governo e acrescentou que, se Fernando Haddad (PT) mantiver esse discurso durante a campanha, não irá “a lugar nenhum”.