Jairinho nega agressões e admite brincadeiras com Henry
03/06/2026, 03:20:04
Julgamento de Jairinho
Em julgamento pela morte de Henry Borel, o ex-vereador Jairinho negou agressões contra o menino, mas admitiu, pela primeira vez, que brincava de "dar banda" com ele, afirmando que a prática era inofensiva e testemunhada por familiares. Jairinho contestou os relatos da babá, Tainá Ferreira, e chorou ao afirmar que sua vida foi destruída por uma "história criada". Monique Medeiros, mãe de Henry, também prestou depoimento e, pela primeira vez, culpou Jairinho pela morte do filho.
Deputado nega as acusações
Ao longo de seu interrogatório, Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, voltou a negar participação na morte do menino e sustentou que as acusações contra ele foram construídas a partir de uma narrativa falsa. Na tentativa de explicar o relato atribuído à criança, o ex-vereador admitiu pela primeira vez que já havia brincado de “dar banda” com Henry em outras ocasiões. Segundo ele, a expressão não se referia a uma rasteira ou a uma queda provocada, mas a uma brincadeira conhecida por familiares de Monique Medeiros.
A brincadeira de 'dar banda'
Segundo Jairinho, a brincadeira acontecia na presença de outras pessoas e não tinha a intenção de derrubar ou machucar o menino. O ex-vereador sustentou que o relato atribuído a Henry foi interpretado de forma equivocada durante a investigação. — Não é uma rasteira, da criança cair no chão. O pai da Monique, a mãe, a cunhada, todos eles viram eu brincando com ele dessa maneira. Ele batia na minha bunda, por conta da altura dele, e corria. Um dia ele reclamou com a Monique. Mas todo mundo via, não era escondido — afirmou.
Questionamentos sobre testemunhas
Jairinho também questionou os relatos da babá Tainá Ferreira, uma das principais testemunhas ouvidas durante a investigação. Ao responder sobre um episódio ocorrido em 12 de fevereiro de 2021, quando, segundo ela, Henry contou à mãe que o “tio” havia lhe dado uma “banda”, o ex-vereador negou ter agredido o menino e afirmou que permaneceu sozinho com ele apenas por alguns instantes, para buscar um documento no quarto. Nesse momento, inclusive, ele teria ligado para Monique.
— Nem encostei nele — disse.
Momentos emocionais no tribunal
Em um dos momentos mais emocionados de seu interrogatório, Jairinho chorou ao falar sobre Henry Borel, negou ter agredido o menino e afirmou que seu maior desejo era que a criança estivesse viva. — A coisa que eu mais queria no mundo é que o Henry estivesse aqui agora. Eu não fiz isso com o Henry. Minha vida está destruída, minha família está destruída por conta de uma história que foi criada — declarou.
Controvérsias e depoimentos
Ao contestar a versão de que Henry sofria agressões, afirmou que não entende por que o depoimento da ex-funcionária Tayná teria mais peso do que o de familiares e profissionais que conviviam com a criança. — A régua para medir o sofrimento do Henry é a babá? Não é a psicóloga, os parentes? A gente olha a fotinha dele, um menino de cinco aninhos que estava com a gente e um dia não está mais — afirmou, chorando.
Mais cedo, Jairinho também disse não acreditar que Monique tenha coagido Tainá a apagar mensagens relacionadas ao caso e voltou a questionar a credibilidade da ex-babá, ressaltando divergências entre os depoimentos prestados por ela ao longo da investigação. — Henry era uma criança amada, querida. Era sempre vigiada. A Monique cuidava dele igual um bebê. Final de semana ele estava com o pai. A dona Rosângela dormia na nossa casa. Aí acreditam na Tainá, que deu quatro depoimentos diferentes — declarou.
Planos futuros
Ao lembrar dos planos que dizia ter para o futuro da família, o ex-vereador contou que pretendia comprar um terreno para construir uma casa onde viveria com Monique Medeiros e Henry. Segundo Jairinho, a ideia era erguer uma casa para a família e reservar um quarto para o menino. — A ideia era ter um quarto para ele lá. Não deu tempo — afirmou, chorando.
