Preocupação com o ICE afasta torcedores da Copa do Mundo
06/06/2026, 11:36:02
A atuação do ICE e suas implicações
A poucos dias da Copa do Mundo, a atuação de agentes do Serviço de Imigração e Fronteiras, o ICE, nas 11 cidades que sediam os jogos nos EUA preocupa torcedores estrangeiros e entidades de direitos humanos. Mais de 120 grupos emitiram um alerta de viagem dirigido a 10 milhões de visitantes sobre violação de direitos de imigrantes, embora autoridades, incluindo o secretário de Estado, Marco Rubio, assegurem que os temidos agentes do ICE não vão atuar dentro de estádios.
Pesquisas e reações da sociedade
O tema carrega um peso traumático, dada a violência das operações anti-imigração deflagradas no segundo mandato do governo Trump. De acordo com uma pesquisa Washington Post-Universidade de Maryland, 65% dos americanos se opõem à presença de agentes do ICE nos estados durante o torneio, que começa na próxima quinta-feira e terá 78 das 104 partidas nos EUA.
Riscos enfrentados por torcedores e imigrantes
O comunicado divulgado por 120 entidades da sociedade civil enumera alguns riscos que torcedores e imigrantes em situação irregular enfrentam: prisão e deportação, ampliação das restrições e limitações de viagens, monitoramento invasivo de mídias sociais em dispositivos eletrônicos e tratamento cruel e degradante durante a detenção ou custódia do ICE. Grupos espalhados pelas cidades-sede organizam campanhas e mutirões para proteger torcedores.
Reações dos sindicatos e comunidades
Em Dallas, no Texas, o Movimento DFW distribui centenas de kits de apitos para alertar a presença de agentes. Em Los Angeles, que sediará oito jogos da Copa do Mundo, um sindicato que representa dois mil funcionários no SoFi Stadium ameaçou entrar em greve caso os agentes do ICE fossem enviados para lá. O temor é que, como a grande maioria de seus trabalhadores é de estrangeiros, seriam os primeiros alvos do ICE.
Apelos por uma trégua do ICE
As ONGs Human Rights Watch, Sport and Rights Alliance e Dignity 2026 apelaram a uma trégua do ICE, com a suspensão das operações de fiscalização durante o torneio, inspirada na trégua olímpica. “A Fifa deveria resgatar as práticas da Grécia Antiga e insistir em uma trégua com o ICE para garantir que agentes federais não realizem ações violentas de fiscalização de imigração dentro e ao redor dos locais da Copa do Mundo. Prisões e deportações que violam os direitos humanos não têm lugar no jogo mundial”, pondera Micky Worden, diretora de Iniciativas Globais da HRW.
Confirmações e ceticismo
O secretário do Departamento de Segurança Interna, Markwayne Mullin, confirmou a presença atuante dos agentes do ICE em todos os jogos, mas observou que seu objetivo é combater “ingressos falsificados, tráfico de pessoas, contrabando de drogas e produtos falsificados”. Mas o ceticismo de quem se habituou com a truculência de agentes mascarados para intimidar e prender imigrantes põe em dúvida suas declarações.
