Penedo sempre foi vanguarda entre o bom e também o ruim: a toga e o bandido
07/06/2026, 10:34:16Quando a toga perde a credibilidade, os bastidores vêm à tona e revelam que nem sempre a aparência de virtude resiste ao peso dos fatos.

O período a partir dos anos 2000 trouxe ao conhecimento dos penedenses os bastidores de acontecimentos — na verdade, fatos — que desmontavam algumas “personalidades” construídas sob o autoritarismo e a violência truculenta, escondidas pela roupagem de monge. E a roupa de monge, como se viu em Em Nome da Rosa, pode ocultar tragédias e perversidades.
Contudo, muitas dessas descobertas permaneceram escondidas debaixo dos tapetes, protegidas pelo poder do prepotente e do poderoso “homem de bem”. Mas o poder nunca pertence ao homem; apenas o acompanha temporariamente. Eis o grande engano daqueles que acreditam que ele é eterno.
Assim, chegamos à década de 2020, que trouxe à baila o descontentamento de um povo que via na Justiça sua última aliada para resolver conflitos e dirimir dúvidas. Entretanto, a toga começou a perder credibilidade, chegando a protagonizar vexames apontados não pelo povo — a vala comum dos cidadãos, como muitos gostam de classificá-lo —, mas pelos próprios operadores do Direito, que passaram a enxergar em determinadas decisões judiciais veredictos discrepantes e incompatíveis com a honra da magistratura.
Tanto assim que o ministro Flávio Dino, juntamente com seus pares, participou da construção de mudanças que resultaram no fim da aposentadoria compulsória como punição máxima para magistrados em determinadas situações.
Mas onde entra Penedo nessa história?
Entra na história das contas falsas, das notas frias, da ausência de prestação de contas, das demissões e dos afastamentos de togados que assumiram cargos em entidades e as deixaram sem crédito em agências bancárias, com talões de cheques recolhidos em razão da má gestão dos recursos.
Há registros de passagens por diversas instituições e empresas que teriam sido marcadas por irregularidades, situações que levantam questionamentos sobre a conduta de quem deveria honrar a toga. Porque, quando a veste serve para encobrir desvios, deixa de representar a Justiça e passa a proteger aqueles que a desonram.
E, nesse caso, não é a toga que faz o homem honrado; é o homem honrado que dignifica a toga.
