Álbum de figurinhas de santos conquista jovens em Vargem Alta

Álbum de figurinhas de santos conquista jovens em Vargem Alta

Uma iniciativa inovadora

Uma paróquia de Vargem Alta, no Espírito Santo, lançou o álbum de figurinhas "Coparóquia". O projeto traz santos padroeiros das 29 comunidades locais. A servidora pública Susllen Juriatto, de 33 anos, idealizou a iniciativa. Ela usou o interesse das crianças por futebol para integrá-las à história da igreja. Dividido por regiões, o álbum possui também figurinhas raras sobre datas do calendário católico, acompanhadas de atividades pedagógicas, como orações. Os pacotes com 4 figurinhas são distribuídos nas celebrações de terça-feira e domingo. Os últimos 5 minutos da catequese servem para trocar as repetidas. A distribuição gratuita possibilitou a participação de crianças de baixa renda. A iniciativa estimula a presença das famílias na igreja e pesquisas sobre os santos.

O conceito do Coparóquia

A febre dos álbuns de figurinhas que ressurge a cada quatro anos com a Copa do Mundo chegou a Vargem Alta, no Sul do Espírito Santo, mas em uma versão reformulada. Em vez de jogadores, os 'craques do jogo' são os santos padroeiros das 29 comunidades que compõem a Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe. Entre os escalados do 'Coparóquia' estão São José, São Sebastião, Santo Antônio de Pádua e Nossa Senhora de Fátima. Assim como na versão futebolística, há também figurinhas especiais, que fazem referência a datas importantes do calendário católico, como a Semana Santa e Corpus Christi. Ao todo, são 37 figurinhas.

A motivação da catequista

A responsável pela ideia foi a catequista da Comunidade São José de Fruteiras e servidora pública Susllen Juriatto, de 33 anos. Ela acreditou que essa seria uma forma criativa de conectar as crianças à história de fé das comunidades. "As crianças da minha turma têm entre 10 e 13 anos. Eles gostam muito de futebol, sabem qual é o meu time, ficam esperando o dia da catequese chegar para implicar comigo quando o meu time perde. Então, eu sabia que o futebol seria um assunto ainda mais presente entre eles durante a Copa do Mundo. Vi o álbum e quis trazer algo para a nossa catequese", comentou.

O crescimento do projeto

O projeto começou com os 13 catequizandos de Susllen, rapidamente ultrapassou os limites da turma e foi compartilhado com grupos de outras idades. Depois recebeu apoio da Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe e começou a despertar interesse em outras comunidades e igrejas. "Eu montei o arquivo com as imagens dos santos, a IA me ajudou, depois fiz o modelinho de cada página, da forma como eu tinha condições de fazer mesmo, sem nada muito profissional. As pessoas de outras comunidades estão fazendo contato comigo, e eu já nem sei te dizer quantas crianças têm o álbum, porque aí cada lugar cuida da sua distribuição".

Fazendo o álbum acontecer

Na Comunidade São José de Fruteiras, tudo foi impresso na impressora da igreja, o álbum em papel comum e as figurinhas em papel adesivo que foi comprado pela catequista. "Quando ofereceu a ideia a Susllen estava meio insegura, por não saber o que algumas pessoas iam achar de relacionar a questão de esporte com a igreja, mas foi muito bem-vindo para a comunidade, a gente apoio pela Paróquia e estão ajudando a fazer essa ponte para compartilhar a ideia", contou Néia Gava, integrante da Pastoral da Comunicação da paróquia.

As figurinhas no campo da fé

No Coparóquia, as seleções foram divididas de acordo com as regiões onde estão localizadas as comunidades, e os santos padroeiros entram em campo como os jogadores dessa competição marcada pela fraternidade. "Eu tentei pensar nos detalhes, para deixar parecido com o original, mas também para ter uma função pedagógica. Como eu sei que no álbum tem umas que são diferentes, que não só os times, também fiz as figurinhas raras, com as datas especiais, e essas são acompanhadas de atividades, como rezar o Pai Nosso ou responder a alguma pergunta", explicou.

Planos e trocas de figurinhas

O planejamento começou há cerca de um mês e o álbum foi entregue na última semana. As figurinhas estão sendo distribuídas durante as celebrações de terça-feira e domingo, e também foi reservado um momento para a troca das unidades repetidas. "Fiz uma conta antes de distribuir, entrego as figurinhas em pacotinhos de quatro unidades, para assim a brincadeira render mais ou menos até o final da Copa do Mundo. Nos dias de catequese, os últimos cinco minutos são para as trocas de figurinhas. Ninguém completou o álbum ainda".

Empolgação e inclusão

A iniciativa surtiu o efeito esperado e animou as crianças. Segundo a catequista, as famílias têm relatado a empolgação dos participantes também fora da igreja. "As mães mandam mensagem no grupo que a gente tem falando que quase não dá tempo de chegar em casa, eles querem colar a figurinha ou então que não podem faltar à igreja. Sem contar que tem até adulto querendo participar". Como o álbum e as figurinhas são distribuídos gratuitamente, a ideia de Susllen também permitiu que crianças que não teriam condições de comprar um álbum oficial da Copa pudessem participar da brincadeira. "Nós somos uma comunidade no interior de Vargem Alta, tem gente que não tem a versão com os os jogadores mesmo. Teve uma menina que me abraçou e falou: 'tia, eu queria tanto ter o álbum da Copa, mas esse daqui é bem melhor'. Eu que chorei quando ouvi isso", disse emocionada.

Fortalecendo laços comunitários

Mais do que uma coleção, o Coparóquia se transformou em uma iniciativa de fortalecimento dos laços entre as comunidades. "É a primeira vez que fazemos uma iniciativa como essa. Conseguimos associar a Copa, que é a praia da meninada, com as nossas atividades. A gente sabia que talvez eles fossem querer ficar em casa, para assistir algum jogo ou preocupados com as figurinhas oficiais", comentou Neia. A catequista está feliz e surpresa com o resultado. "É uma forma de despertar o interesse e atrair para os momentos da comunidade, de maneira lúdica e com aprendizado. Eles estão curiosos, fazendo pesquisas sobre alguns dos santos padroeiros de outras comunidades que não conhecem. Jamais pensei que ia tomar essa repercussão. Se eu puder divulgar um pouquinho do evangelho, já estou feliz", concluiu Susllen.