Brasil mantém camisa azul após polêmica sobre uniforme vermelho

Brasil mantém camisa azul após polêmica sobre uniforme vermelho

Camisa azul que o Brasil usa contra o Haiti seria vermelha

Modelo chegou a ser aprovado pela antiga direção da CBF e entrou em produção, mas foi descartado depois de críticas políticas e de reações contra a mudança das cores tradicionais da seleção.

A seleção brasileira enfrenta o Haiti com o uniforme azul, mas o plano inicial era usar uma camisa vermelha. A antiga direção da CBF aprovou o modelo, que entrou em produção, mas foi descartado após polêmica sobre a troca das cores tradicionais. O vermelho foi associado politicamente ao PT, gerando críticas de diversos setores. O novo presidente da CBF, Samir Xaud, interrompeu a produção, optando por manter as cores históricas.

O Brasil enfrenta o Haiti nesta sexta-feira, na Filadélfia, com camisa e calção azuis e meias pretas, mas a vaga ocupada pelo atual segundo uniforme da seleção estava originalmente destinada a um modelo vermelho. O projeto chegou a ser aprovado pela antiga direção da CBF e entrou em produção, antes de ser interrompido em meio à forte repercussão provocada pela troca de uma das cores mais tradicionais da equipe.

A existência da camisa veio a público em abril de 2025, quando foram divulgadas imagens de um modelo predominantemente vermelho, com detalhes pretos e o símbolo da Jordan Brand no lugar do tradicional logotipo da Nike. O uniforme havia recebido o aval de Ednaldo Rodrigues, então presidente da CBF. Naquele momento, porém, a entidade afirmou em nota que as imagens não eram oficiais e garantiu que os padrões amarelo e azul seriam preservados. Meses depois, o novo presidente da confederação, Samir Xaud, confirmou que a peça realmente estava sendo fabricada.

A proposta provocou críticas por dois motivos. Parte dos torcedores e de políticos de direita relacionou o vermelho ao PT e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, transformando o uniforme em mais um capítulo da disputa política em torno dos símbolos nacionais. A rejeição, no entanto, não ficou restrita a esse grupo: jornalistas, ex-jogadores e torcedores de diferentes posições políticas também argumentaram que o vermelho romperia a identidade histórica da seleção e substituiria o azul, cor consagrada como segundo uniforme no primeiro título mundial do Brasil, em 1958.

Poucos dias depois de assumir a CBF, em maio de 2025, Samir Xaud convocou uma reunião de emergência com a Nike e pediu que a fabricação fosse interrompida. O dirigente afirmou que tomou a decisão não por razões políticas, mas para preservar as cores presentes na bandeira brasileira, e disse que também não havia gostado do desenho.

A fornecedora produziu então o modelo azul lançado oficialmente em março deste ano, mantendo a parceria com a Jordan Brand e o símbolo de Michael Jordan. É essa camisa, criada depois do veto ao vermelho, que a seleção usa contra o Haiti.