Título de cidadania e o de eleitor têm os mesmos usos: troca de favores entre as partes

Quando o reconhecimento público deixa de premiar serviços prestados e passa a servir aos interesses da conveniência política, os asquerosos brilham qual o cobre das bijuterias

Título de cidadania e o de eleitor têm os mesmos usos: troca de favores entre as partes

Títulos de Cidadão e a banalização das honrarias

A troca de favores entre políticos e as singulares distribuições de Títulos de Cidadão deste ou daquele município têm sido motivo de críticas por parte da imprensa, que enxerga a quebra da cláusula pétrea para tal finalidade: os dez anos de moradia e convivência com o local que concede o título, a prestação de relevantes serviços à população e o reconhecimento público por parte do próprio povo.

Mas essas regras foram violentadas dentro dos parlamentos, Câmaras de Vereadores e Assembleias Legislativas, em troca de indulgências entre parlamentares que distribuem tais honrarias, como ocorria na venda de indulgências retratada em Em Nome da Rosa.

Em Penedo, tais aberrações chegam ao ponto de servir de exemplo o caso da concessão da honraria ao ex-secretário da Promoção da Paz, Jardel Aderico, preso em outubro de 2019 durante uma operação do Ministério Público da Paraíba (MPPB) que investigava desvios de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro nas áreas da saúde e da educação.

A detenção ocorreu após ele permanecer foragido. Na ocasião, foi encaminhado para cumprimento de pena no Presídio Baldomero Cavalcanti, em Maceió. Ex-vereador, tornou-se conhecido por iniciativas políticas que acabaram privando Penedo de usufruir de determinadas benesses administrativas e institucionais.

Também já foram homenageadas pessoas apontadas como responsáveis por episódios marcados pela morte de parturientes e bebês, cujas responsabilidades jamais foram plenamente apuradas pelas autoridades competentes, justamente aquelas que deveriam proteger os mais vulneráveis. Pode até haver corresponsabilidade de gestores públicos, mas nada foi feito para esclarecer os fatos.

Mas por que não se vangloriar com a medalha ao peito? Afinal, isto é Penedo.

Creditos: Professor Raul Rodrigues