Brasil busca diversificar parcerias sem polarização EUA-China
26/06/2026, 10:25:04
Após formalizar a primeira emissão de títulos soberanos em moeda chinesa, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o Brasil não quer ficar ‘preso’ na polarização entre Pequim e Washington. Com a intenção de diversificar a dívida brasileira, Durigan destacou a importância de estabelecer relações financeiras mais robustas com a China, reforçando que o país não deve ser afetado pela geopolítica.
O Brasil é o primeiro país da América Latina a emitir "panda bonds", com previsão de captar inicialmente até 5 bilhões de yuans (R$ 3,8 bilhões). De acordo com Durigan, essa emissão tem como finalidade aprofundar a cooperação financeira entre Brasil e China, alinhando-se aos esforços de fortalecer os vínculos econômicos e financeiros bilaterais. O discurso do ministro ocorreu em uma conferência em Pequim, onde ele enfatizou que a estratégia do Brasil é independente das tensões internacionais.
“O que é realmente importante para mim é que nós não estamos presos, do ponto de vista do Brasil e do presidente Lula, na polarização entre os Estados Unidos e a China. Nós temos nossa própria estratégia para lidar com o mundo”, afirmou Durigan durante a conversa com jornalistas.
Sobre a capacidade do Brasil de se equilibrar entre o interesse de diversificar parcerias e não sofrer retaliações dos EUA, Durigan mencionou que a blindagem do país passa por resistir às pressões externas. “É assim que a gente se equilibra. Não batendo continência para a bandeira americana,” disse ele, sublinhando as tentativas do presidente Lula em aumentar o comércio bilateral.
Além disso, a nova política envolve uma representação da Receita Federal em Pequim, com a nomeação de Andrea Costa Chaves como a primeira adida para assuntos tributários e aduaneiros do Brasil na Ásia. Essa nova adidância justifica-se pelo volume crescente de negócios entre Brasil e China, visando facilitar o comércio bilateral e abordar questões tributárias e aduaneiras.
Durigan destacou que, apesar do aumento do comércio, é essencial que o Brasil tome medidas para evitar que se torne um ponto de entrada ou saída para crimes, como o tráfico de drogas e armas. Ele expressou a necessidade de monitoramento rigoroso nesta nova fase de cooperação internacional.
