A lógica das duas vagas ao Senado em Alagoas

A história das eleições para o Senado no estado revela um padrão recorrente: a alternância entre grupos políticos antagônicos, preservando o equilíbrio de forças e redesenhando alianças ao longo das últimas décadas.

A lógica das duas vagas ao Senado em Alagoas

Na disputa política pelo parlamento maior – senado – também chamado de majoritário os antagônicos sempre vencem

Não é à toa que a disputa pelas duas vagas ao Senado, realizada a cada oito anos sob a legislação vigente, quase sempre termina com a eleição de candidatos considerados antagônicos. E eles sabem muito bem disso. Em Alagoas, a história parece se repetir.

De 1990 a 2018, foram eleitos Guilherme Palmeira, Teotônio Vilela Filho, Renan Calheiros, Heloísa Helena, Fernando Collor, Benedito de Lira e Rodrigo Cunha. Entre eles, Téo Vilela, Renan Calheiros e Fernando Collor foram reeleitos para o Senado.

Dentro da linhagem das tradicionais famílias políticas alagoanas, apenas três desses nomes conquistaram a reeleição, demonstrando a força de determinadas lideranças no cenário estadual.

Renan Calheiros e Teotônio Vilela Filho jamais perderam uma eleição para os cargos que disputaram nesse período. Téo Vilela, ao deixar o Senado, foi eleito governador por dois mandatos consecutivos. Ao fim de sua gestão, foi sucedido por Renan Filho, em uma composição política que muitos classificaram como uma aproximação entre grupos historicamente antagônicos.

Heloísa Helena foi eleita senadora em 1998 na vaga aberta por Guilherme Palmeira, que assumiu um cargo no Tribunal de Contas da União. Naquela ocasião, tratava-se de uma eleição para apenas uma vaga. Já nas eleições em que duas cadeiras estavam em disputa, os vencedores foram Fernando Collor e Renan Calheiros, ambos posteriormente reeleitos, representando, mais uma vez, grupos políticos vistos como adversários históricos.

Com a saída de Collor do Senado, Benedito de Lira conquistou uma das vagas e passou a atuar ao lado de Renan Calheiros em Brasília. Posteriormente, candidatou-se ao Governo de Alagoas, sendo derrotado por Renan Filho. Em seguida, a vaga no Senado foi ocupada por Rodrigo Cunha, então identificado como um dos principais adversários políticos de Renan Calheiros.

Para quem não sabe ler os movimentos da política, resta deixar que a imaginação conduza pensamentos que, muitas vezes, nunca chegam às urnas.

Creditos: Professor Raul Rodrigues