Tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros entram em discussão final
05/07/2026, 06:13:04
Entenda o cenário das tarifas
Equipes técnicas dos governos do Brasil e dos Estados Unidos devem se reunir nesta semana em preparação para um último encontro de alto nível entre os dois países antes de 15 de julho.
Esse é o prazo final para os Estados Unidos decidirem se vão colocar em prática tarifas adicionais sobre produtos brasileiros.
O Brasil tenta reverter ao menos parte da nova ofensiva proposta pelo governo de Donald Trump, que pode elevar a carga total a 37,5% no país. As medidas incluem:
- Proposta de tarifa adicional de 25%, justificada por práticas comerciais desleais;
- Sobretaxa de 12,5%, sob a alegação de falta de ações contra o trabalho forçado.
Propostas e ações do Brasil
Na última quinta-feira (2), o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Márcio Elias, teve uma reunião virtual com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, para seguir nas negociações.
No encontro, a equipe brasileira propôs um "mapa do caminho", com estratégias e ações como última cartada.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva apresentou medidas para garantir que as práticas adotadas pelo Brasil não oneram e nem restringem o comércio com os norte-americanos.
As áreas de preocupação da gestão de Trump incluem:
- Tarifas preferenciais desleais;
- Acesso ao mercado de etanol;
- Proteção da propriedade intelectual;
- Combate à corrupção;
- Desmatamento ilegal.
Expectativas do governo brasileiro
Auxiliares do presidente Lula não acreditam mais em uma reversão completa das tarifas.
O governo está se preparando para esgotar as negociações, com a intenção de mostrar os dados do comércio entre os dois países.
Internamente, a avaliação é que o USTR tem motivações políticas e não técnicas para suas decisões. Assim, esperam que, no máximo, possa haver uma exceção ou redução de taxa, mas não a reversão completa.
Diálogo contínuo
Os representantes dos dois países continuam com uma "linha de diálogo" que deve ser mantida, com reuniões regulares. Na última quarta-feira (1º), o Brasil formalizou sua resposta oficial à investigação dos EUA sobre práticas comerciais brasileiras.
O chanceler Mauro Vieira entregou o documento no último dia do prazo previsto. No texto, o governo brasileiro defende que as críticas dos EUA ao PIX e decisões judiciais brasileiras não estão relacionadas ao comércio, mas a divergências sobre políticas internas.
Histórico das investigações
No início de junho, o USTR concluiu uma investigação e propôs a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Outros fatores levados em conta incluem:
- Funcionamento do PIX;
- Regulação de plataformas digitais;
- Acordos comerciais do Brasil;
- Combate ao desmatamento;
- Proteção à propriedade intelectual.
Além disso, outra investigação concluiu que o Brasil não estaria fiscalizando adequadamente a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado. O governo americano propôs uma sobretaxa adicional de 12,5% para esses casos.
A proposta precisa passar por consulta pública antes de entrar em vigor, com uma audiência pública programada para os dias 6 e 7 de julho.
A avaliação do governo brasileiro é de que as duas medidas podem ser cumulativas, elevando a taxação total para até 37,5% sobre partes das exportações brasileiras aos EUA.
Entretanto, o governo americano já sinalizou uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos, incluindo café, carne, frutas, aeronaves, fertilizantes e minerais críticos.
