A derrota para a Noruega e a realidade do futebol brasileiro
06/07/2026, 08:56:48Mais do que um resultado negativo, a eliminação expõe problemas estruturais da Seleção Brasileira que já se repetem há anos.

O futebol, paixão dos brasileiros, dificilmente oferece respostas convincentes e definitivas quando o assunto é uma derrota. Somos emocionais,

precipitados e, muitas vezes, condenatórios.
Na partida da Copa do Mundo entre Brasil e Noruega, mais uma vez nos colocamos na dianteira da frase, como se ainda fôssemos imbatíveis. Já não somos. Basta fazer as contas de quantas Copas do Mundo deixamos de conquistar, incluindo a de 2026.
Não importa o nosso histórico de vitórias e conquistas. As disputas são decididas no presente, não pelo passado. Há muito tempo o Brasil não possui um centroavante nato, um verdadeiro homem-gol. Também já não conta com um meio-campo ao mesmo tempo criativo e combativo. Quando marca bem, não cria; quando cria, não consegue se defender com eficiência. É um vazio técnico imperdoável.
Foram quarenta anos sem desperdiçar um pênalti em Copas do Mundo. O último havia sido cobrado por Zico, exímio goleador, craque e especialista em faltas e penalidades. Apesar do erro, seu nome jamais ficou marcado apenas por aquele momento, pois era o cobrador oficial da Seleção.
Neste domingo, 5 de julho de 2026, fomos derrotados pela Noruega. Perdemos para uma equipe formada por jogadores disciplinados, concentrados e eficientes. Entre eles não há estrelas do tipo pop star. Nem mesmo o atleta que decidiu a partida ostenta esse perfil. Cumpre rigorosamente sua função, mantém a concentração e sabe aproveitar os momentos decisivos. É um verdadeiro "homem de gelo", característica que combina até com sua origem nórdica.
Perdemos um pênalti que, segundo a avaliação do treinador Carlo Ancelotti, foi cobrado pelo melhor batedor em campo. No entanto, fica a pergunta: todos conheciam, de fato, o aproveitamento do atleta nos treinamentos? Sabemos que Vini Júnior é um jogador decisivo, mas isso não significa, necessariamente, que seja o melhor cobrador de penalidades.
Também desperdiçamos um gol considerado feito com Endrick, atleta tão reivindicado como titular e que, quando teve a oportunidade, não conseguiu corresponder. Perdemos outras chances em cruzamentos que não encontraram atacantes bem posicionados para concluir. Casemiro, em uma das jogadas, optou pelo chute quando o mais adequado seria levantar a cabeça e procurar um companheiro melhor colocado. E, durante praticamente toda a partida, o goleiro norueguês só precisou fazer uma defesa realmente decisiva: justamente no lance em que a bola o encobria e seguia em direção ao gol.
Haaland recebeu pouquíssimas bolas durante todo o segundo tempo. Ainda assim, bastaram cerca de vinte minutos e duas oportunidades — uma com os pés e outra pelo alto — para cumprir a função de um grande centroavante: marcar o gol da vitória.
Os números são frios, objetivos e incontestáveis. Em termos exatos, o Brasil perdeu para a Noruega. E, mais do que isso, perdeu para uma seleção que foi mais organizada, mais disciplinada e mais eficiente nos momentos decisivos.
Sobre Ancelotti: deve permancer com tempo suficiente para treinar e convocar livre de pressões. Tecnicamente fomos bem. Mas o jogador é quem erra quando não pode.
